Amigo Secreto de Natal

Fim de ano está chegando e nossos personagens resolveram fazer mais um amigo secreto, desta vez com a turma toda!

Serão 15 personagens e, a partir de amanhã até o dia 24/12 todos os dias às 19h (exceto finais de semana), um deles trará uma dica para que você possa adivinhar quem ele tirou. Então participe da brincadeira deixando o seu palpite, pois, ao final, a pessoa com mais acertos ganhará uma xícara exclusiva da série.

Não se preocupe se ainda não leu o livro ou se não se lembra de algum de nossos heróis, pois, para lhe ajudar, publicaremos as fichas técnicas de cada personagem ao longo das semanas correntes.

Vamos brincar?

***Regras***

– Você poderá dar seu palpite para cada dica ou dar todos eles juntos no último personagem;

– Para cada personagem você poderá dar até 2 chutes, valerá o último deles.
Ex.: no post da Iris eu disse que ela tirou o Rafael, porém conforme recebi mais dicas acabei mudando de opinião, então em um post posterior troquei o meu palpite sobre a Iris e disse que ela tirou o Matheus. Minha resposta válida será o Matheus.
(Esta regra não valerá caso opte por dar um único palpite ao final do jogo)

– Os palpites poderão ser feitos em qualquer dica sobre qualquer personagem. Porém, não esqueça de identificar de que personagem está falando se o mesmo não for sobre quem esta dando a dica do dia.

– Caso haja mais de uma pessoa com o maior número de acertos, a xícara será sorteada entre os mesmos.

– Promoção válida para todo o Brasil e para o Facebook, Instagram e o Blog de Entre Dois Mundos.

Mini-história: Conversa entre homens

Helder seguia devagar até o lugar onde achava que poderia encontrar Matheus. Já estava escurecendo, porém isso não o atrasava. Se aquela viagem tinha lhe ensinado algo, era que ele estava familiarizado com a geografia do lugar. O fato de ter sido tão fácil chegarem até a nave sem John para guiá-los, o assustava, pois aquilo era um sinal claro de que já estavam vivendo naquele planeta tempo suficiente para se acostumarem com o ambiente. Tudo bem que haviam se perdido inúmeras vezes e estavam muito além do cronograma inicialmente estipulado, porém, na noite anterior a sua partida, Helder quase desistira da empreitada com receio de estar arriscando a sua vida e a de seus amigos em uma jornada que poderia guiá-los a um caminho sem volta, então, do seu ponto de vista, se comparado com a alternativa, haviam se saído muito bem. No final das contas, saber que eram capazes de se virarem sozinhos, talvez tivesse sido o único proveito de toda aquela caminhada, já que não haviam conseguido encontrar nada de útil dentro da espaçonave para ajudar Adeline.

O céu passou do cinza avermelhado ao breu sem estrelas em um piscar de olhos, fazendo com que Helder dependesse ainda mais da tocha que trazia consigo. Pegou-se pensando no beijo novamente; ainda conseguia sentir os lábios quentes de Iris contra os seus. Deixou escapar um pequeno sorriso de contentamento. Talvez se ele não tivesse aparecido naquele momento, as coisas poderiam ter tomado um rumo diferente. Não! Não poderia iludir-se, pois mesmo que tivesse se deixado levar pelo momento, sempre soube, no fundo, que ela não corresponderia a sua investida, pois seu coração estava em outro lugar. E a reação de Iris ao flagrante só confirmou suas suspeitas. Agora, lá estava ele, indo atrás daquele por quem ela verdadeiramente nutria algo. Não precisou andar muito para que avistasse entre os rochedos a silhueta do homem que procurava e, assim que se aproximou, sentou-se, deixando uma distância confortável entre os dois. Matheus, sempre alerta, desta vez nem percebera a presença de Helder, tão mergulhado que estava em seus próprios pensamentos.

– A noite está estranhamente calma hoje! – Helder comentou despreocupado. Ele percebeu o corpo de Matheus contrair-se com o susto e logo em seguida, relaxar. Esperou por uma resposta, mas ela não veio. Então despretensioso, continuou: – Você tem um jeito incomum de demonstrar seus sentimentos…

Matheus virou-se e, emburrado, o encarou:

– O que acabou de dizer deveria significar algo?

– Claro que não! A não ser que sinta algo por ela… – Helder disse, sem desviar o olhar do desenho que fazia com os dedos na areia vermelha aos seus pés. Matheus arregalou os olhos por um momento, mas logo se recompôs e bufou.

– O que veio fazer aqui?

– Não é óbvio? Vim buscá-lo – o médico respondeu calmamente. Matheus soltou um sorriso de desdém e levantou-se, postando-se em frente a Helder.

– Não preciso de sua ajuda, sei muito bem me virar sozinho! Não deveria ter deixado as duas, é perigoso! Mas não espero que você entenda isso.

Helder finalmente levantou a cabeça, encarando o outro pela primeira vez desde que chegou.

– Não fui eu quem saiu a esmo por ai.

– Não saí a esmo, estou patrulhando! Alguém tem que fazer, já que outros, claramente, preferem se divertir – Matheus respondeu irritado. Helder sorriu provocativo.

– Então não te afetou em nada o que viu? Confesso que, para mim, é bom saber!

Uma sombra de fúria passou pelos olhos de Matheus e ele lançou suas palavras em um furor cortante:

– Eu não tenho nada a ver com o romance de vocês! – Engoliu em seco e depois, desviou o olhar. – Só acho que deveriam ser mais prudentes, aqui não é hora e nem lugar! – Voltou o olhar novamente para Helder. – Especialmente você! Afinal, foi quem acabou nos trazendo para esta jornada inútil! Não está contente em só perder Adeline? Porque, com certeza, ela não irá sobreviver! E ainda quer arriscar a vida de outros?

Pela primeira vez naquela conversa, Helder se descompôs. Levantou-se em um átimo, aproximando-se de Matheus. As chamas das tochas iluminavam as feições raivosas e o ressentimento estampado nas faces dos dois homens que se encaravam a poucos centímetros um do outro.

– Chega! Entendo que esteja frustrado, porém, não vou deixar que desconte em mim sua raiva, só porque eu tive a coragem de ser sincero com os meus sentimentos e fazer o que você não fez.

– Você não sabe do que está falando!

Helder respirou fundo, acalmando-se.

– Não planejei, simplesmente aconteceu! Mas mesmo que o fizesse, não há lugar e nem hora certa para nada. – Ele suspirou ressentido. – E pensar que, justamente você o qual não sabe aproveitar, tem a oportunidade. – Matheus olhou confuso para ele, mas Helder não se importou em fazer-se entender. – Talvez, antes de pararmos aqui, você nunca tenha sentido uma perda tão significativa em sua vida a ponto de lhe fazer questionar algumas atitudes. Mesmo assim, depois de tudo que passamos, não acredito que ainda não tenha aprendido nada com isso.

Helder olhou para Matheus e logo se arrependeu de suas palavras. Nos olhos do amigo havia uma sombra de tristeza profunda, a mesma que, nos hospitais, via nos olhares dos familiares aos quais contava que o pior havia acontecido com um paciente.

– Vou voltar. Não deveria ficar aqui sozinho, pode haver espectros – Helder anunciou.

Matheus apenas assentiu e sem dizer nada, seguiu os passos de Helder pelo deserto vermelho. Os dois eram habilidosos e mesmo com a pouca luz que tinham, não demoraram a chegar ao destino. Antes de se aproximarem da gruta, Matheus parou e pigarreou, chamando a atenção de Helder e quebrando o silêncio que mantiveram por todo o trajeto.

– Quer dizer que eu ainda tenho alguma chance? – ele perguntou em um sussurro inseguro. Helder sorriu, tal atitude resignada não combinava com o homem a sua frente.

– Isso não sou eu quem deve lhe responder – Helder disse, seguindo caminho e encerrando o assunto.

Só mais um dia no complexo

Já estava me acostumando a acordar com as batidas incessantes de Alexia na minha porta nas manhãs de domingo. Desde a primeira semana no complexo fora assim e até hoje não falhara. Fui até a entrada e abri a porta, lá estava ela parada em suas roupas esportivas com um sorriso de orelha a orelha no rosto.

– Hoje eu não precisei gritar seu nome por horas até que você me atendesse? As coisas estão evoluindo por aqui! – ela comentou soltando um sorriso e já entrando em meu quarto. Dei risada também, nunca adiantava ficar de mau humor com Alexia, ela simplesmente me ignoraria se assim o fizesse.

– Quem tem uma amiga como você não precisa de despertador, Alexia – respondi. Ela deitou na cama e jogou o travesseiro em mim.

– Vai logo se arrumar! Estou prevendo mais suor hoje do que qualquer treinamento físico que tivemos durante a semana. – Fiz uma careta para ela jogando o travesseiro de volta e entrei no banheiro.

Domingo era o único dia livre na semana em nossa rotina de treinamentos, mesmo assim eram raros aqueles em que eu realmente tinha o dia inteiro só para mim. Todas as manhãs Alexia me buscava para fazer uma caminhada pelos arredores do complexo e, apesar de esportes em geral nunca terem sido um dos meus hobbies favoritos, aquelas andanças com ela acabavam se revelando muito divertidas, pois cada dia descobríamos algo novo sobre a propriedade. Nós andamos por mais de duas horas debaixo daquele sol escaldante do Texas, quando me despedi de Alexia só queria tomar um banho e ler algum dos meus livros até a hora do almoço, porém me deparei com Helder e Sakura me esperando na porta de meus aposentos.

– Aconteceu alguma coisa? – perguntei um pouco confusa enquanto me aproximava.

– Eu falei para você que ela tinha esquecido! – a japonesa disse olhando para Helder, depois se voltou para mim. – Nós íamos nos encontrar para definir algumas estratégias para os treinamentos da próxima semana, não se lembra? – Meu rosto enrubesceu no mesmo instante. Como eu poderia ter esquecido daquilo? Helder se aproximou e deu alguns tapinhas em meu ombro.

– Não se preocupe! Está livre agora? Tenho certeza que terminamos tudo antes do almoço. – Acenei com a cabeça e ele piscou para mim. Logo em seguida Helder se virou e começou a andar, fui atrás dele com Sakura correndo ao meu lado.

Sai do refeitório direto para o meu quarto tomar um banho. Que dia! Desde que acordara não tinha parado um minuto sequer e para meu infortúnio não seria agora que esta situação iria mudar, estava quase no horário em que Matheus e eu nos encontrávamos para desenvolver o relatório semanal do Instituto. A biblioteca era uma sala ampla com vários computadores de consulta e mesas redondas para estudos em grupos. Assim que entrei vi Kazuki, Louis e Adeline ocupando uma das mesas com livros e cadernos espalhados por todos os lados.

– Boa tarde! – sussurrei ao me aproximar. Louis e os outros levantaram os olhos dos cadernos.

– Ah, boa tarde, Iris! Veio estudar também? – Louis perguntou abrindo um sorriso simpático. As avaliações finais estavam chegando e muitos de nossa equipe estavam se preparando para elas. Adeline bufou para o primo.

– É claro que não Louis! Você não sabe que ela encontra todo domingo com Matheus para fazer sei lá o quê? – Sua frase soou um tanto irritada e estranhamente aquilo me deixou satisfeita. Adeline virou para o lado me ignorando. – Kazuki, me explique novamente isso aqui e vê se dessa vez faz direito, não dá para entender nada do que você fala! – Ela empurrou um dos livros na direção do japonês. Louis pareceu ficar irritado.

– Adeline, seja educada, ele está nos fazendo um favor. E fale mais baixo, estamos em um local de estudo. – A francesa ignorou os avisos do primo e ele contrariado somente balançou a cabeça.

– Sakura está vindo estudar conosco, talvez ela consiga lhe explicar melhor – Kazuki respondeu tentando se desculpar. Me despedi dos três antes que eu acabasse discutindo com Adeline e deixei com que continuassem com seus estudos, afinal parecia que aquilo não iria terminar tão cedo.

Matheus estava sentado sozinho em uma das mesas ao fundo da sala, seu rosto sendo iluminado pela tela do notebook a sua frente. Assim que me aproximei ele levantou o olhar, me encarando.

– Está atrasada! – ele disse emburrado e voltou a digitar os dados no computador. Puxei uma das cadeiras ao seu lado e me sentei.

– Desculpe! – respondi sem me abalar e peguei os relatórios sobre a mesa. – Em que dia da semana está? Posso colocar meus dados depois se for te atrapalhar. – Ele me olhou de soslaio e soltou um sorriso irônico.

– Se fosse para cada um fazer o seu relatório não precisávamos nos encontrar toda semana. – Fechei a cara o encarando. Nossa relação tinha melhorado muito nos últimos tempos, porém ainda hoje havia momentos como esse onde acabávamos nos estranhando. – Ou talvez você só queira uma desculpa para ficar a sós comigo – ele completou sem tirar os olhos de mim. Senti meu rosto corar.

– Não seja idiota! Quem está dizendo que temos que fazer o relatório juntos é você, talvez não seja eu quem queira uma desculpa para nos encontrarmos! – disse virando a cara e cruzando os braços, Matheus começou a rir fazendo com que sua covinha aparecesse.

– Vamos, me dê suas anotações que eu já insiro aqui junto com as minhas – ele disse ainda sorrindo, eu lhe passei os papéis sem dizer mais nada e dando por encerrado o assunto.

Assim que deixei a biblioteca fui para a sala de comunicação. Além de domingo ser o único dia na semana de folga ele também era o único em que podíamos nos comunicar com o mundo fora daquelas paredes, era o momento em que eu conseguia falar com meus pais e Rafael. A sala estava lotada, não havia nenhum terminal disponível, quando estava quase desistindo e calculando se ainda teria tempo para voltar mais tarde, Yvon, que estava em um dos terminais, acenou para que eu me aproximasse.

– Olá, Iris! Se quiser pode usar a minha máquina, já estou deslogando. – Ele fechou todas as telas e desconectou seu usuário, depois se levantou dando espaço para que eu me sentasse em seu lugar.

– Muito obrigada Yvon, você me salvou hoje! – disse já ocupando a cadeira. Ele sorriu um pouco encabulado e acenando um adeus deixou a sala. Esperei que fosse embora e voltei minha atenção para a máquina. Por que não queria funcionar? Estava normal até agora! – Que droga de computador! – resmunguei baixinho.

– Quer que eu dê uma olhada? – Não tinha visto que Peter estava ao meu lado, sorri para ele e dei espaço para que mexesse no meu terminal. Ele tentou algumas configurações, fechou alguns programas e por fim abriu a tela de login novamente. – Acho que agora irá funcionar – ele disse voltando para seu lugar e ajeitando os óculos.

– Obrigada! Você já é o segundo que me salva hoje – disse contente e ele enrubesceu. Acenei em agradecimento e fui me conectar com o mundo externo.

Passou pela minha cabeça pular o jantar daquela noite enquanto caminhava de volta para o meu quarto. Eu estava tão cansada que por mais que as refeições fossem um dos raros momentos em que conseguíamos reunir a equipe toda sem a obrigação de um treino e fossem muito prazerosas, a ideia de ficar quietinha no meu canto me soou um tanto quanto convidativa. Senti alguém esbarrando em mim e quase fui ao chão. Assim que consegui me equilibrar novamente olhei para ver quem é que tinha me atropelado. Enzo voltava correndo para me ajudar.

– Desculpe Iris! Estou tão apressado que não te vi. Está tudo bem? – Fiz que sim com a cabeça e ele soltou um sorriso despreocupado. – Que ótimo! Eu estou vendo os últimos detalhes da nossa noite de liberdade, por isso estava avoado. – Ele já tinha começado a fazer seu caminho de volta quando gritou: – Não vai esquecer que hoje teremos a grande votação, portanto nada de faltar ao jantar! – Droga! Tinha esquecido completamente que hoje teria a tal votação para ver em qual lugar comemoraríamos nossa noite fora do complexo, e lá se iam meus planos pelo ar.

A votação não fora assim tão conturbada como achei que seria, houve algumas divergências de opinião, como Elissa e Josh, onde a primeira defendia a ideia de confraternizarmos em um lugar mais reservado e tranquilo enquanto o outro queria algo mais agitado, mas por fim a maioria concordou com Elissa e Josh, para a surpresa de todos já que ele sempre era um pouco esquentado, aceitou tudo numa boa. Deitada em minha cama pensei no treinamento físico que teríamos logo cedo no outro dia, eles sempre me causavam arrepios. O domingo finalmente acabara, mas a semana havia apenas começado. Suspirei cansada. Fora só mais um dia agitado, como outro qualquer, no complexo.