O menino que escrevia

Está é a história de Carlos, um menino que desde pequeno sempre deixou com que sua imaginação o levasse aonde ela quisesse. Adorava quando chegavam as férias escolares e ele ia passar o mês inteiro na fazenda de seus avós, afinal aquelas viagens ao interior eram sempre sinônimo de aventuras. Enfrentava piratas, conhecia sereias, desbravava os sete mares; tudo isso no riacho que cortava as fronteiras da propriedade. À noite ia deitar contando à sua avó todos os desertos que atravessou, as batalhas as quais enfrentou, as pessoas que conheceu, as princesas as quais salvou, as criaturas mágicas que ajudou; tudo isso feito em um dia e nas dependências da fazenda. Logo que aprendeu a ler e escrever, descobriu que poderia desbravar ainda mais aventuras e sem precisar sair do lugar. Escrevia pequenas histórias com sua letra garranchada de criança e escondia bilhetes secretos por toda a casa, a fim de que alguém, no futuro, descobrisse o tesouro encantado. Muitos o achavam um menino estranho e sozinho, porém Carlos nunca se sentira assim.

Assim que virou adolescente, as aventuras no interior ficaram sem graça, mas sua imaginação não perdeu a força, só acabara mudando de foco. Agora passava horas inventando histórias românticas com meninas; ah, como elas eram adoráveis! Sonhava com sua vizinha, encantava-se com as moças bonitas que sempre passeavam no shopping, apaixonou-se por sua professora de inglês. Começou a escrever poemas e de vez em quando os entregava a suas amadas, nem sempre dava certo, mas na grande maioria das vezes acabava conseguindo um elogio ou mesmo um sorriso. Era motivo de chacota para algumas meninas e para muitos dos garotos de seu colégio, porém não se importava, pois era de escrever que gostava.  Interessou-se por literatura e, ainda que tivesse pouca idade, já havia lido mais livros que grande parte de seus amigos.Certo dia conheceu uma garota, escreveu todos seus sentimentos no papel em forma de versos e entregou-os a dona de seu coração. Foi a melhor obra prima que fizera, para a pessoa que, até então, era a mais especial que passara por sua vida.

Formou-se, entrou na faculdade, estudou muito, começou a trabalhar e formou-se novamente.Passava os dias em uma sala fechada, de frente para um computador e quase não via a luz do sol. Por isso nunca deixara de escrever, mesmo que agora tivesse menos tempo, afinal era do que precisava para libertar sua alma. Dissertava sobre os problemas do mundo, do país, da cidade, de sua comunidade. Entrou em grupos de debate, voluntariou-se como tradutor na faculdade, aprendeu a ler mesmo com o sacolejo dos trens embaçando sua visão. Conheceu outra garota, afinalnunca se cansou delas! Casou-se, teve uma filha, perdeu o emprego no escritório. Começou a fazer uma coisa aqui outra ali para sustentar a família e, entre um bico e outro, encontrou sua vocação. Iniciou seu primeiro livro, demorou mais do que esperava para terminá-lo, mas finalmente o original ficou pronto. Todos diziam que aquilo era loucura, que procurasse um emprego de verdade. Entretanto, Carlos não deu ouvidos aos maus presságios e buscou até a exaustão uma editora, houve um momento em que quase desistiu, mas finalmente seus esforços foram recompensados e conseguiu, publicou sua obra.

Você pode nunca ter ouvido falar de Carlos e certamente muitos não o conhecem pessoalmente, realmente não há nada de especial com ele e sua vida pode ser comparada à de muita gente, porém suas histórias viraram sucesso por onde passaram e ficarão eternizadas, assim como sempre sonhara.Então este é um convite para todos os Carlos, Albertos, Jéssicas, Mônicas, Daianes, Eduardos, Henriques e quem mais for, para que nunca esqueçam dos seus sonhos e daquilo que faz sua alma vibrar, pois é só acreditando que chegamos à algum lugar.

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