Depoimento de uma Autora

Tudo começou com um sonho, e não estou usando aqui uma figura de linguagem, foi, literalmente, um sonho. Daqueles tão vívidos que ficam na nossa mente ainda por muito tempo depois que levantamos da cama. Coincidentemente, na mesma época, eu estava escrevendo um “diário” com uma porção deles, anotava todos aqueles os quais me lembrava, mesmo que fossem somente pequenos fragmentos. As exatas palavras que usei para começar o meu registro deste sonho em específico foram:

            ”Preciso relatar esse sonho, porque ele foi como um filme… muito parecido! Acordei várias vezes durante a noite ainda sentindo as sensações que ele me trouxe (medo, frio, etc) e sempre que voltava a dormir, retornava a ele, não perdi a sequência.”

Porém este foi diferente dos demais, eu estava animada, não conseguia tirá-lo da cabeça e só anotá-lo não havia sido o suficiente, minha mente ainda estava inquieta. Foi quando eu pensei: “Vou escrevê-lo como uma narrativa!” e foi assim que nasceu o prólogo do que mais tarde, para a minha surpresa, se tornaria um livro. O mais engraçado foi que, depois disto, aquilo não era mais o meu sonho e sim uma história com outros protagonistas e eu queria mais! Queria saber como começou, o porquê de tudo aquilo, o que aconteceu depois e quem eram aquelas pessoas; então continuei a escrever. Eu precisava de personagens, muitos deles! Pensei exatamente no que queria e fui atrás de cada um destes indivíduos: suas nacionalidades, nomes e características. Jovens adultos atrás de uma conquista, com personalidades diferentes e conflitantes, mas que acabariam encontrando um laço dentro de um objetivo em comum. E é nesta parte do depoimento que vem uma curiosidade: o único deles que migrou do meu sonho para a história foi John, todos os outros surgiram com a própria. Ele é uma chave importante dentro do enredo e talvez tenha sido meu guia desde o começo. Com os personagens criados, o resto fluiu naturalmente: cenários, conflitos; o enredo em si. As ideias vieram como uma enxurrada e eu precisava organizá-las se quisesse que algo saísse daquilo tudo. Sempre achei importante o vínculo que alguns autores criam entre seus personagens e quem está consumindo a trama, pois, pessoalmente, acho que é isso que traz a emoção para a mesma; é o que faz você torcer pelo mocinho, se apaixonar pela princesa, desejar a morte do vilão, e foi por isso que resolvi começar minha história por ai. Acredito que quem já teve a oportunidade de ler o livro percebeu essa progressão dentro do conteúdo, um começo mais ameno com apresentações, explicações e descrições do dia a dia, e uma trama que vai esquentando a medida que coisas inesperadas acontecem com aqueles cujo o leitor já tem um envolvimento. No início, eu não imaginava no que tudo aquilo se tornaria, eu só queria dar vazão às ideias que estavam surgindo e, quando dei por mim, eu tinha páginas e mais páginas escritas com aquele material, foi naquele momento que tive a consciência de que sim, aquilo era um livro!

Se eu lhes dissesse que o processo foi sempre fácil, estaria mentindo! Tive muitos altos e baixos ao longo do percurso. Passei de momentos onde eu só queria saber de escrever, já que as ideias não paravam de brotar, para outros de total bloqueio. Comecei nos tempos livres, depois passei uma temporada em que transformei isso em prioridade e logo em seguida questionei o porquê de desperdiçar minha atenção e esforços naquilo, então deixei tudo de lado. Mas acabei retornando, uma, duas, três vezes! Porque algo sempre me chamava de volta. Pesquisei bastante, principalmente os conceitos básicos de alguns elementos essenciais da trama, como: viagens espaciais e seus treinamentos. Porém, sempre será um pingo de realidade em um oceano de ficção, pois o intuito quando procurei algum conhecimento não era o de informar e sim de trazer um pouco de veracidade ao conteúdo. Li e reli o texto mais do que assisti o filme Titanic, e quem me conhece sabe que foram muitas vezes! Perdi as contas de quantas alterações, acréscimos ou exclusões fiz dentro da história. Achei algumas partes geniais, já outras… nem tanto. Sempre escrevi para mim, pelo simples prazer de fazer. Contudo, em um determinado momento, peguei-me imaginando o que outras pessoas diriam se também tivessem a oportunidade de ler aquilo. Será que gostariam tanto quanto eu? Ou seria a única?

E depois de muito tempo, eu finalmente terminei! Lembro-me, como se fosse ontem, que quando coloquei aquele último ponto final senti um orgulho o qual jamais conseguiria explicar aqui sem que parecesse um drama de novela mexicana. Meu próximo pensamento foi: “E agora? O que faço com isso?”. Porque eu gostei e pensava que outros também poderiam se interessar, veio-me o desejo de compartilhar, então dei o manuscrito para algumas pessoas lerem. Eu não tinha grandes pretensões com este ato, somente queria saber outras opiniões. Mas, qual não foi minha surpresa ao receber tantos elogios e o incentivo de levar a história para frente? Muitos acreditaram mais do que eu mesma no potencial do livro e, com este gatilho, resolvi tentar seguir em frente. Mal tinha terminado de escrever minha obra e a inscrevi no prêmio Kindle, sem revisão, diagramação ou mesmo uma capa. Lógico que não tive a mínima chance de ganhar, mas valeu a experiência. Além de aprimorar um pouco o material durante o concurso, com revisão e diagramação básicas e uma capa, conheci muitos autores no processo e entendi melhor o mundo editorial. Continuei a vender o livro digital de forma independente na Amazon e investi nas redes sociais para divulgá-lo. Aventurei-me em águas que nunca antes havia explorado e achei sensacional. Neste ano, decidi que ia mandar o original para algumas editoras e assim fiz, até que uma delas interessou-se pela obra, fez uma proposta e fechamos um acordo.

Ainda estou engatinhando em um mundo que mal comecei a conhecer, mas digo, desde já, que está valendo muito a pena! Pois hoje, ao abrir uma caixa cheia com “meus” livros, criei um daqueles momentos que ficam para sempre registrados na memória. Não sei aonde isso irá me levar, mas estou ansiosa para ver!

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