Vida de Solteira – Dia dos Namorados

“Não! Não pode ser! O dia dos namorados chegando e eu aqui sozinha? Como isso foi acontecer?!”, Valentina lamentava enquanto contorcia-se na cama olhando o calendário. Suspirou. Era frustrante, afinal, nos últimos tempos, ela tentara de todas as maneiras trocar o status de solteira para relacionamento sério. Porém, suas experiências haviam sido desastrosas, dignas de uma comédia romântica sem um final feliz. Ninguém poderia dizer que não havia feito nada a respeito do assunto. Entretanto, o resultado estava claro, estampado em sua testa; uma alma solitária no dia em que tantos outros estariam celebrando o amor. Decidiu que não mais ficaria nessa depressão, chamaria algumas amigas e juntas sairiam para curtir a noite. Afinal, era somente uma data, nada mais que isso.

E não era que, no final, acabou empolgada? Valentina estava em um bar com mais três amigas o qual, naquele 12 de junho, celebrava o Dia dos Solteiros, com correios elegantes e bebidas duplas de graça. Como nunca soubera desses eventos antes? Que lindo seria se justamente naquela noite encontrasse sua alma gêmea. Iniciou bem; estava com suas amigas, conversou, deu risada, bebeu algumas tequilas e até deu umas paqueradas. Mas, em dado momento, as coisas começaram a ficar estranhas. Uma das meninas havia sumido, outra já estava se engraçando com um cara, trocando empolgada com o mesmo correios elegantes; restara somente Valentina que, sem pronunciar uma única palavra, olhava a amiga da amiga sentada à sua frente e desejava desesperadamente que esta também não se arranjasse, afinal ela não poderia ser a única a sobrar.

O garçom parou ao seu lado e entregou-lhe um papelzinho colorido, sinal de que recebera uma mensagem. Empolgada agradeceu seu salvador e abriu o pequeno bilhete: “Olá gatinha, você vem sempre aqui?”. “Nossa, essa é mais velha do que minha vó!”, pensou. Mesmo assim resolveu responder, afinal sua falta de criatividade para puxar uma conversa talvez fosse um ato esporádico, como, quem sabe? Timidez. “Primeira vez! Quem é você? Mande um sinal ou fale um pouco mais ao seu respeito. Quer me encontrar pessoalmente?”. Não demorou muito para que o funcionário da casa viesse novamente com outro papelzinho colorido. “Que ótimo! Encontre-me em 20 minutos no espaço perto dos camarotes, garanto que não irá se arrepender! Procure por “Cupido da Paixão”.”. Valentina achou aquela mensagem estranha e ao mesmo tempo excitante, afinal o pequeno jogo de esconde-esconde era um tanto quanto interessante. “Pois bem, então seria a “Gladiadora de Corações”.”, pensou e começou a rir. Levantou-se, olhando com piedade para a amiga da amiga, estava com dó de largá-la sozinha, mas nessa guerra só poderia haver uma derrotada e antes a desconhecida do que ela. Passou no banheiro a fim de arrumar o cabelo e verificar roupa e maquiagem antes de encontrar com o seu misterioso querubim. Deu risada consigo mesma. Só poderia estar maluca para empolgar-se com algo assim! Quando se deu por satisfeita, saiu do recinto e foi até o lugar combinado. Era estranho, o espaço manteve-se vazio a noite toda, mas justamente naquele momento estava lotado de mulheres. O tal rapaz ainda não estava lá, então resolveu esperar. Mais e mais mulheres se aglomeravam no diminuto lugar, talvez fosse começar alguma atração programada da casa. O misterioso querubim já estava há uns bons vinte minutos atrasado e Valentina começou a indagar se o rapaz havia desistido. Sentindo-se desconfortável com o amontoado de gente, resolveu perguntar à menina sentada ao seu lado se ela sabia o motivo de tal afobação.

– Não sei! Estou aqui para encontrar com alguém. – Riu consigo mesma. – Mandou chamá-lo de “Cupido da Paixão”.

Valentina olhou ao redor e reparou que todas as mulheres presentes tinham um correio elegante na mão e pareciam esperar por alguém. “Ele levou a sério o papo de cupido!”, pensou irritada. Assim que se levantou a fim de voltar a sua mesa um holofote acendeu-se no meio do ambiente, destacando um rapaz musculoso vestido com apenas uma sunga branca e asas enormes em suas costas.

– Para àquelas que não encontraram seu amor hoje, apresento o “Cupido da Paixão”! – o DJ anunciou, tocando uma música agitada e fazendo com que o rapaz em destaque começasse a dançar.

Valentina indignou-se. Por que só ela havia recebido o convite para o show se não estava sozinha na mesa? E a amiga da amiga? Passou no bar e pediu uma cerveja. “Não precisava daquilo!”, pensou consigo mesma. E conformou-se, pelo menos ainda lhe restara a companhia da desconhecida. Nem precisou chegar à mesa para perceber que a mesma estava vazia. Valentina olhou para os lados, todas haviam se arranjado. Não era que o cupido, desde o início, sabia que aquele seria seu fardo? Tomou um grande gole de sua bebida e respirou fundo, retornando para o show que havia abandonado. Não encontrou o seu príncipe encantado, mas seu querubim a aguardava.

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