Amigo Secreto de Natal

Fim de ano está chegando e nossos personagens resolveram fazer mais um amigo secreto, desta vez com a turma toda!

Serão 15 personagens e, a partir de amanhã até o dia 24/12 todos os dias às 19h (exceto finais de semana), um deles trará uma dica para que você possa adivinhar quem ele tirou. Então participe da brincadeira deixando o seu palpite, pois, ao final, a pessoa com mais acertos ganhará uma xícara exclusiva da série.

Não se preocupe se ainda não leu o livro ou se não se lembra de algum de nossos heróis, pois, para lhe ajudar, publicaremos as fichas técnicas de cada personagem ao longo das semanas correntes.

Vamos brincar?

***Regras***

– Você poderá dar seu palpite para cada dica ou dar todos eles juntos no último personagem;

– Para cada personagem você poderá dar até 2 chutes, valerá o último deles.
Ex.: no post da Iris eu disse que ela tirou o Rafael, porém conforme recebi mais dicas acabei mudando de opinião, então em um post posterior troquei o meu palpite sobre a Iris e disse que ela tirou o Matheus. Minha resposta válida será o Matheus.
(Esta regra não valerá caso opte por dar um único palpite ao final do jogo)

– Os palpites poderão ser feitos em qualquer dica sobre qualquer personagem. Porém, não esqueça de identificar de que personagem está falando se o mesmo não for sobre quem esta dando a dica do dia.

– Caso haja mais de uma pessoa com o maior número de acertos, a xícara será sorteada entre os mesmos.

– Promoção válida para todo o Brasil e para o Facebook, Instagram e o Blog de Entre Dois Mundos.

Série Profissões – A Diarista

Segunda-feira – Dona Dulce acordou às cinco da manhã, fez café, deixou tudo preparado para o marido e os filhos, se arrumou e saiu. Ainda estava escuro quando pegou o ônibus que a levaria para o centro da cidade. Não conhecia muito sobre sua nova patroa, já que fazia pouco tempo que começara a trabalhar naquela casa. Porém considerava aquele serviço um achado. O apartamento era pequeno, a proprietária morava sozinha e quase não ficava em casa, portanto, Dona Dulce conseguia concluir suas tarefas com apenas metade do dia, o que lhe dava tempo suficiente para passar as roupas de outra cliente durante a tarde. Não pensou que pegaria mais um trabalho nesta altura do campeonato, tinha uma certa idade e já não rendia mais como antigamente, contudo, sabia que faria alguns sacrifícios para conseguir pagar sua tão sonhada casa própria, por isso, não poderia reclamar, pois esse dinheiro extra acabou vindo bem a calhar. Terminou o dia pegando o filho mais novo na escola ao voltar para casa. Fez a janta, arrumou a cozinha e preparou-se para outro dia.

Terça-feira – Acordou às quatro horas da manhã, tinha que sair mais cedo para levar seu filho ao médico antes de deixá-lo na escola e pegar no batente. Antes, arrumou a marmita do marido. Mesmo que ele não fosse trabalhar, Dona Dulce deixaria a comida pronta, pois era sua obrigação cuidar da família. Mas daquela vez fazia a tarefa com gosto, pois depois de ter passado meses sem arranjar um serviço o esposo estava finalmente empregado. A patroa não havia ficado muito feliz com o atraso de Dona Dulce, o qual não fora pouco naquele dia, já que, além dos imprevistos da manhã, aquela era uma de suas casas mais distantes. Tudo bem! Ficaria até mais tarde para compensar a hora e ainda deixaria brilhando o rejunte dos azulejos da cozinha. Teve que pedir para a irmã pegar seu filho na escola. Chegou em casa já eram mais de nove horas e não havia nada para comer, então fez uma janta rápida, arrumou a cozinha e preparou-se para o outro dia.

Quarta-feira – Acordou às cinco horas, fez café, deixou tudo preparado para o marido e os filhos e saiu. Era dia de limpar a casa de uma de suas patroas mais antigas e somente por isso ainda aceitava trabalhar no local por aquele preço, já que aquela era uma das residências mais trabalhosas que tinha em sua lista. Um casal com duas crianças e dois cachorros, sendo o marido, um acumulador. A casa estava sempre um caos quando Dona Dulce chegava e ela somente conseguia se encontrar no lugar por conhecê-lo tão bem. Passava o dia limpando todos os cômodos, os quintais, a sujeira dos cachorros, recolhendo os brinquedos e tirando o pó dos milhares de bibelôs; mal conseguia sair a tempo de pegar seu filho na escola. As quartas-feiras eram sempre puxadas, mas não poderia reclamar, este era o seu serviço e aquela era uma de suas melhores clientes. Chegou em casa, fez a janta, arrumou a cozinha e preparou-se para o outro dia.

Quinta-feira – Acordou no mesmo horário de sempre. Todas as quintas-feiras, Dona Dulce sentava no ônibus e pensava que sua vida poderia ser diferente se as circunstâncias fossem outras. Aquela patroa, outrora, havia lhe feito uma oferta generosa. Iria contratá-la por tempo integral, todos os dias da semana, com carteira assinada e tudo mais, porém, a faxineira recusara. Na época, não havia como ela dormir no trabalho, tinha uma criança pequena e uma família para cuidar, além do mais, o salário era bom, porém a quantia não cobria o que ganhava somando todas as outras casas. Pensava, mas não reclamava. Afinal, era o que sabia fazer desde os dezesseis anos de idade, pular de casa em casa limpando a bagunça dos outros, não serviria para outra coisa. Aos olhos de Dona Dulce aquilo era uma mansão e, por este motivo, sentia que não fazia bem o seu trabalho naquele lugar, já que era impossível para uma só pessoa, em um único dia, limpar uma residência tão grande. Mas sua patroa parecia discordar e sempre repetia:

– Não sei o que seria de mim sem você, Dulce querida! Tem certeza que não quer vir morar aqui?

A diarista toda vez abria um sorriso sem graça e começava a se explicar até ser interrompida pela mulher, dando risada e dizendo que estava só a brincar.

Sexta-feira – Pegou o ônibus antes de o Sol raiar novamente. Era mais um dia de jornada dupla para Dona Dulce, desta vez de manhã passava e fazia o almoço e a tarde limpava outra casa. A propriedade do segundo turno não era particularmente difícil, porém a dona do lugar era uma de suas patroas mais meticulosas. A mulher tinha algumas manias e várias regras, sendo que algumas delas eram totalmente descabidas no olhar experiente da faxineira, mas sua missão era deixar suas clientes felizes e não argumentar, então aprendeu como a dona queria e fazia sem reclamar.

Sábado – Acordou às cinco horas. Os filhos ainda dormiam e o marido levantaria mais tarde para trabalhar, então deixou seus cafés preparados e tomou cuidado para não fazer barulho enquanto se arrumava. A última casa da semana era, também, de uma cliente antiga e, por ser um final de semana, a dona sempre estava por lá. Por um lado era bom ter a patroa por perto, pois tinha alguém com quem conversar durante o dia, mas ela não conseguia deixar de lado a sensação de estar sendo vigiada. Começava lavando a louça e ariando as panelas, depois limpava toda a cozinha: armários, chão, mesa, todas as superfícies e eletrodomésticos. Lavava os quintais e os banheiros do chão ao teto. Arrumava a sala, os quartos e os corredores. Tirava o pó e passava pano. No final do dia, Dona Dulce voltava moída para casa. Cada músculo de seu corpo doía, pelo acúmulo do esforço de toda a semana. Todo sábado era a mesma coisa, chegava em casa no final da tarde, o marido, no sofá, assistia televisão tomando uma cerveja, enquanto o filho mais novo brincava no quintal e o mais velho nunca estava em casa. A louça do almoço ainda estaria lá e a mesa do café não teria sido tirada. Então, Dona Dulce daria um trato na cozinha antes de tomar o seu banho e ter o seu merecido descanso.

Domingo – Já estava acostumada a acordar cedo, não como quando ia trabalhar, mas o suficiente para ser a primeira na casa a se levantar. Dona Dulce fez um café e esquentou na chapa com manteiga um pão amanhecido, depois sentou-se relaxada na mesa e ligou a televisão. Nem sabia em que canal estava, mas deixou porque passava a reprise de um daqueles programas matinais de entrevistas os quais eram comuns durante a semana. O assunto debatido eram mães e suas profissões. A apresentadora pediu a opinião de uma adolescente na plateia:

– Qual é a profissão da sua mãe? – ela perguntou.

– Nenhuma! Ela é dona de casa – a jovem respondeu indiferente.

Dona Dulce olhou para o relógio na parede e todo o serviço por fazer a sua volta, desligou a TV. Sentiu os músculos reclamarem de dor quando levantou da cadeira, mas não poderia perder mais tempo, mesmo que hoje fosse somente dona de casa.

Vida de Solteira – Speed Dating

Mais uma tentativa, mais uma chance para o amor. Desta vez Valentina estava empolgada. Já tinha visto esse tipo de encontro em filmes e sempre teve curiosidade de passar pela experiência, por isso, quando sua amiga lhe disse que havia encontrado um grupo que promovia tal evento, ela não pensou duas vezes em aceitar o convite. O conceito era simples: as mulheres ficariam sentadas nas mesas enquanto os homens revezariam entre elas; o objetivo era fazer com que todos tivessem a oportunidade de conversar e se conhecer melhor para, quem sabe, rolar uma afinidade.

A amiga de Valentina foi até a sua casa para que seguissem juntas ao local onde estava marcado o encontro. Procuravam pelo número do endereço, quando, de repente, sua companheira olhou para o lado, deixando o queixo cair, com surpresa.

– Com certeza é esse lugar com um cupido na porta! – ela comentou horrorizada.

Valentina seguiu o olhar da amiga e imediatamente seu coração acelerou em pânico. Sim, lá estava ele, na frente do bar. Por que haveria um homem seminu com asas brancas e até uma auréola em frente a um estabelecimento se não fosse justamente para receber os participantes do evento, humilhando-os ao demonstrar para a sociedade a que ponto tiveram que chegar para conseguir um amor? Aquilo só poderia ser brincadeira! Toda sua empolgação de outrora foi substituída pela vergonha. As duas meninas ficaram em silêncio por algum tempo dentro do carro até que Valentina, respirando fundo, declarou:

– Vamos logo com isso! Já pagamos e viemos até aqui, não será um cara com uma fantasia ridícula que irá nos impedir! – A outra garota sorriu para ela nervosa. – Além do que, quem está pagando mico vestindo aquilo é ele, não estamos fazendo nada de errado – completou determinada e ambas saíram do carro. Ficou satisfeita consigo mesma, afinal o discurso tinha funcionado com a amiga, ela parecia confiante. E era verdade, quem tinha que sentir-se vergonhado por usar aquilo era o rapaz e não elas só porque estavam prestes a participar de um evento em sua presença. Respirou fundo. A quem queria enganar? Pelo menos ele estava sendo pago para fazer aquilo.

Deram seus nomes ao cupido e receberam um crachá, depois seguiram o querubim até uma sala reservada nos fundos do estabelecimento. A menina tentou ignorar o fato de que todos no bar viraram para encará-los e provavelmente estavam pensando o que aquelas duas queriam seguindo um cara só de calças e com asas nas costas. Mas, para seu alívio, Valentina sentiu-se mais confortável ao ver que não fora somente ela a passar por tal vergonha. O recinto estava cheio! Havia pelo menos umas quinze meninas e o mesmo número de rapazes. O moderador apresentou-se, explicou como funcionavam as regras e depois deu um jogo de perguntas e respostas para os participantes interagirem um pouco antes do evento principal, o qual acabou servindo bem o seu propósito que era o de quebrar o gelo entre as pessoas. Finalmente cada mulher tomou uma mesa para si e os homens escolheram com quem queriam se sentar. Valentina teria quatro minutos para conversar com quem estava na sua frente até que o sino tocasse e o próximo participante viesse. No começo ela achou ser pouquíssimo tempo para desenvolver um assunto interessante com alguém e, de fato, com alguns deles, realmente foi. Porém a garota percebeu que, dependendo da pessoa que lhe fizesse companhia, aquilo poderia ser muito, mas muito tempo… quase uma eternidade!

Valentina anotava na ficha que deveria entregar ao final do evento suas preferências sobre os rapazes que já haviam passado por sua mesa quando o próximo se aproximou. Ele trazia consigo uma caixinha de água de coco e, assim que se sentou, jogou o cabelo para o lado, olhando fixamente para a moça. Qual era o problema daquele cara? Será que ele estava tentando seduzi-la? Os quatro minutos começaram a ser contados e o rapaz passou os três primeiros deles só falando sobre seus feitos, não dando espaço para que Valentina abrisse sua boca para argumentar. Em dado momento ele parou e Valentina pensou: “Será que agora finalmente posso falar?”, mas antes mesmo que tivesse tempo de expressar qualquer coisa o garoto debruçou-se na mesa e, aproximando-se da moça, pegou sua caixa de água de coco e chupou o canudinho de um jeito engraçado, com os olhos meio arregalados e os lábios formando um bico em um ângulo esquisito. Depois, lentamente, colocou a caixinha de lado, sem desviar nem por um segundo o olhar de Valentina. Era a primeira vez que via alguém tentar ser sexy com uma caixinha de água de coco e ela teve que reunir todas suas forças para não gargalhar na cara do sujeito. Salvo pelo sino e com o ego inabalado o rapaz pulou para a próxima mesa e Valentina pode respirar aliviada novamente. Seguiram-se mais uma dúzia de moços, alguns interessantes e outros nem tanto. Ela já estava rouca e com a garganta seca de tanto falar, tinha se cansado das mesmas perguntas: qual seu nome, onde mora, o que faz da vida, o que faz nas horas livres, por que veio até aqui ou já veio em outro evento desses antes?  Até que, finalmente, chegaram à última rodada. Definitivamente não poderia dizer que aquele pretendente era mais do mesmo. Perguntas como: se você tivesse em uma ilha com sua mãe e seu namorado e precisasse matar um dos dois para sobreviver qual seria? Você prefere ser morta ou se matar? Qual sua opinião sobre a legalização do porte de arma? Fizeram com que Valentina terminasse a conversa aconselhando o rapaz a procurar ajuda psicológica com um profissional.

O saldo da noite fora uma garganta arranhada, muitos nãos, alguns talvez e nenhum sim. Contudo, Valentina e sua amiga divertiram-se com a experiência e até já faziam planos para tentar uma segunda vez, pois, no mínimo, o evento lhes renderiam boas gargalhadas.